Superficialidade DEV: uma síntese sobre os tempos atuais
Estamos passando por um momento de mudanças bruscas e repentinas com o avanço
desenfreado das inteligências artificiais. Há quem diga que estamos vivendo
uma nova "revolução industrial" e sinceramente, não acho que seja uma
definição muito distante da realidade. A polêmica relativamente recente
envolvendo o Studio Ghibli e suas artes geradas por IA pode servir como
um indicativo de que o desemprego estrutural está atingindo com força
algumas áreas do mercado. O Veo3 da Google, a Manus AI e o famoso ChatGPT
são exemplos de ferramentas poderosíssimas que possuem a capacidade de
aumentar muito a produtividade de quem as utiliza, certo? "Mais resultado em menos
tempo". Isso é quase um mantra em uma sociedade totalmente tomada pelo imediatismo
e pela constante necessidade de produzir (uma combinação catastrófica, diga-se de passagem),
que tem como principal fonte de
entretenimento vídeos de 15 a 30 segundos; uma sociedade onde de 2019 pra cá,
o tempo médio das músicas mais consumidas nos streamings diminuiu em média 30 segundos; uma
sociedade que, segundo a pesquisa recente da "Retratos da Leitura no Brasil", é composta
por mais "não leitores" do que leitores.
Que problema o avanço acelerado da tecnologia somado à esses fatores que acabei de citar
pode causar? A superficialidade. Esta que vem sendo construída e cultivada desde a pandemia,
onde o mercado de desenvolvimento de sistemas ficou extremamente aquecido e a lei de oferta e demanda fez
com que práticas como o "vibe coding", "low code" e "no code" se popularizassem para atender
um mercado carente.
Programar não é só criar uma tela e aplicar funcionalidades, é também entender as regras de negócio,
as necessidades do usuário, ter um padrão de arquitetura, ter um código bem otimizado e facilmente
reaproveitável.
Ouvi muito ao longo da faculdade que "sistema bom é o que funciona", mas não nos apeguemos tanto a isso.
Apesar do foco dessa coluna ser a programação, levemos essa conclusão para nossas vidas:
Diga "não" à superficialidade.